[ Café com Verso ] Florbela Espanca "Perdi os Meus Fantásticos Castelos"

     Olá! Como vocês estão? Finalmente depois da minha apresentação aqui ,volto para trazer a vocês uma poesia da autora Florbela Espanca. Acho que muitos de vocês não a conhecem, eu mesma fui apresentada à sua obra há uns dois anos, mas foi amor à primeira vista (ou melhor, à primeira leitura)! Me identifico muito com ela, e uma das características que mais gosto é que ela exprime os seus sentimentos de forma clara, sem rodeios, de uma forma que mesmo quem não possui um vocabulário rebuscado consegue alcançar o que ela quis transmitir naquele poema. Além disso, ela tinha um dom incrível para sonetos muito bem construídos.
Florbela Espanca
        Para quem quer saber mais sobre ela, seu nome de batismo é Flor Bela de Alma da Conceição Espanca e ela nasceu em Portugal. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotizaçãofeminilidade panteísmoAutora polifacetada: escreveu poesia, contos, um diário e epístolas; traduziu vários romances e colaborou ao longo da sua vida em revistas e jornais de diversa índole, mas é à sua poesia, quase sempre em forma de soneto, que ela deve a fama e o reconhecimento. A temática abordada é principalmente amorosa. O que preocupa mais a autora é o amor e os ingredientes que romanticamente lhe são inerentes: solidão, tristeza, saudade, sedução, desejo e morte.
       O poema que escolhi se chama "Perdi os Meus Fantásticos Castelos", onde a autora fala sobre as ilusões que tinha para si e da sua perda. 


Perdi meus fantásticos castelos 

Perdi meus fantásticos castelos 
Como névoa distante que se esfuma... 
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los: 
Quebrei as minhas lanças uma a uma! 

Perdi minhas galeras entre os gelos 

Que se afundaram sobre um mar de bruma... 
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? – 
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma! 

Perdi a minha taça, o meu anel, 
A minha cota de aço, o meu corcel, 
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias... 

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas... 
Sobre o meu coração pesam montanhas... 
Olho assombrada as minhas mãos vazias... 


       Espero que tenham gostado da escolha (na verdade eu não saberia definir o melhor soneto dela, são muitos e amo praticamente todos) e que despertem a curiosidade de ler mais da sua obra. Sugiro o livro  Charneca em Flor para quem quer mergulhar em seus versos, de preferência a segunda edição dele, que contém mais de 80 sonetos. Segundo Antero de Figueiredo, o livro Charneca em Flor ficará como um dos mais belos depoimentos literários do coração português de ontem, de hoje, de todos os tempos. Intensa, insatisfeita, amarga, exaltada, sensual e mística ao mesmo tempo, Florbela dá o melhor de si, distanciando-se das restantes poetisas. Definitivamente, Florbela contribui em Charneca em Flor para a emancipação literária da mulher e ousa levar ainda mais longe o erotismo no feminino, como o mostra Volúpia. Dá, por tudo isso, vida a sonetos tão raros como Charneca em Flor, Outonal, Ser Poeta e Amar!.
       Engana-se quem pensa que apenas mulheres se identificam com sua obra. Qualquer pessoa que possua sentimentos, devaneios, ilusões, sensibilidade, um fio de erotismo ou que tenha olhos que vejam além da poesia vão facilmente se envolver nos versos de Florbela.

       Desejo uma vida cheia de poesias a vocês, principalmente daquelas que estão nas entrelinhas de cada acontecimento especial da vida! Beijos, até a próxima! E estou sempre aberta a sugestões! ;)